Encontrei mais um defeito!
Estava me perguntado para onde vai toda a coragem que temos quando criança. Comecei a analisar no que mudei... o que fez com que me tornasse tão "cauteloso". Sempre aceitei a idéia de que eram as "resposabilidades da vida" que faziam isso. "O jovem é corajoso e revolucionário porque acha que não tem nada a perder, que é invulnerável"
Mas não era para ser o oposto? Conforme vivemos, aprendemos com os erros... não deveríamos nos tornar mais seguros e confiantes?
O que é a coragem, senão aceitar como verdade algo que não está dentro de nós? A criança não tem experiência, não tem "conhecimento" (como conhecemos), o que a criança pode fazer? Experimentar! E pela experiência descobre o que é agradável, o que não é, o que funciona e o que não.
Crescemos e somos estimulados a desenvolver o intelecto. Temos que dominar toda a teoria para, depois, associar a prática e nos tornarmos bons no que resolvemos fazer. Não é assim?
Criamos assim uma falsa segurança, falsa porque nunca estamos completamente no controle de nada! Sempre estamos sujeitos ao "acaso"! Sabemos disso, mas fingimos que não!
Passamos meses nos programando para uma viagem, por exemplo, fazemos tudo acreditando (de verdade) que não teremos problemas, mas uma infinidade de coisas pode acontecer! Entramos em pânico de não conseguimos fazer como planejado, mas quantas coisas podem acontecer? Pode ocorrer uma greve dos meios de transporte, o hotel pode ser fechado ou pegar fogo, tsunamis, terremotos, furações a por aí vai... se acreditássemos que pode acontecer tudo isso não faríamos mais nada!
Então o que nos dá a falsa impressão de segurança? O pouco conhecimento teórico que temos de tudo (digo a humanidade e não do indivíduo, aí seria covardia...), e as estatíticas... mas o que isso significa? A chance de ocorrer um acidente no meio de transporte X, na localidade Y, e levar à lesões graves é uma em um milhão... mas para aquele se se acidentou é 100%!
É aquela história, alguns estudos mostram que se uma pessoa acidentar-se com uma agulha, com sangue visível de uma pessoa HIV positivo, tem a chande de cinco em mil de se contaminar... alguém arrisca?
Não aceitamos a possibilidade de perder o controle! Somos treinados, desde pequenos, que devemos "dominar" (ao menos intelectualmente) os assuntos.
Veja bem... não sou contra o conhecimento, pelo contrário, acho óbvio que é essencial! Mas temos que aceitar que nunca estamos no controle! Talvez assim possamos viver mais leves, como as crianças!
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
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